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Um olhar sobre a violência





As reticências são propositais de quem não pretende fechar a questão. O caldo sociológico da violência, em particular, a partir das abalizadas observações de sociólogos pós anos 60/70, procura creditar tais causas ao grande salto populacional do país, para onde tão grande mal encontra eco na fixada falta de planejamento dos grandes centros urbanos, que, preferiram segregar os bolsões das grandes cidades a partir da ótica perversa do capital - segregando espaços e grupos de pessoas.

Alinhada a tal premissa, antropólogos apontam, dentre tantas linhas, a falta de um sentimento de altruísmo e de cuidado do humano com o humano, que na sua “desumanização”, preferiu aportar a prática do ódio avizinhado a vinganças torpes (mata-se por tão poucas motivações). Em suma, é o próprio medo daquilo que o outro possa trazer-lhe.

Já a visão do aparato público, ou do Estado, é a de que não se resolve a violência com o excessivo policiamento, vez que, se tal medida se impuser, haverá os exageros e, por resultado, o estado acabará se tornando promotor da morte e não da segurança.

Assumo que não me devo emitir pareceres ou pitacos, pois, não sou especialista no ramo. Porém, deixando de lado as explanações não menos importante das causas, inclusive as sociais (que mais atinge a camada pobre do país) o estado da Paraíba, mesmo com a curva em declínio na taxa de homicídios, vem apresentando um considerável e descontrolado dado estatístico de Crimes contra o patrimônio, onde, sente-se na pele e no dia a dia o medo do deslocamento comum e do mal daquilo que possa ocorrer.

Muros, paredes, cercados elétricos, portões de alta força, nada disso intimida a prática desmedida dos meliantes. Somos escravos do medo de uma sociedade que, ao arrepio de suas grandes conquistas tecnológicas e sociais, tornou-se refém de si mesma.

Embora seja uma temática aquecida por opiniões múltiplas, não é solução resolver tal impasse ARMANDO O “CIDADÃO DE BEM” nem, tampouco, IMPORTANDO práticas antigas e plasmadas pela Lei do Talião (a barbárie).

O comportamento sociológico e cultural das pessoas nos dias atuais, geradoras de tanta violência, aprofunda seus misteres em tantas mazelas que são carregadas no seio da vida das pessoas, que, preferiram acumular, enraizar e promover um comportamento distante e arredio, fazendo o homem ser ameaça para si mesmo a ponto de alimentar a “bandidagem, seja pela impunidade ou mesmo a impotência do estado.

Na verdade não é só uma violência nas ruas, é uma violência que nasce no berço de casa é uma violência  que engendra a prática do mal em grupos diferentes do meu (sejam eles religiosos; sexuais; étnicos). O assalto a “mão armada” é apenas um tentáculo de uma sociedade que preferiu CONVIVER COM ESTADO EPIDÊMICO DA VIOLÊNCIA. Pelo menos uma coisa parece ser lúcida e verdadeira, cabendo para tal uma indagação: SERÁ QUE O ESTADO JÁ PERDEU ESSA GUERRA??

JOÃO PESSOA, 17 DE SETEMBRO DE 2017
RINGSON MONTEIRO DE TOLEDO
ADVOGADO - FILOSOFO



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