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Na festa do corpo que alimenta, a tristeza por um corpo putrefato: O BRASIL





A igreja Católica, no alto de seus dois milênios de história, celebrou ontem, 15 de Junho, para aqueles que creem, como eu, a festividade da presença salvadora e santificante daquele que, na fragilidade das espécies de um pedaço de pão e um pouco de vinho, torna-se o alimento de uma multidão de homens e mulheres.

Sentimos ontem o desejo de dar graças a Deus, que não se faz fardo (MT 11,30), mas alimento. Tal presença e alimento, não configura-se um “canibalismo”, pelo contrário, uma Eukharistía – Ação de Graças, ou seja, Deus, contemplando a fragilidade da carne e da vida humana, compadece-se do “vale de lágrimas” existencial e oferta-se como SUBSTÂNCIA, para erguer a legião de homens e mulheres, caídos pela sua própria miséria.

Dar o alimento não é uma prática, apenas, da filantropia cristã. A especialidade de sustentar e alimentar vem dos mais remotos estudos Antropológicos, segundo Sueli Moreira (nutricionista, professora assistente de nutrição social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte)  desnudam que tal mister já ocorria nas searas mais longínquas, ou seja, “confunde-se com a própria história do homem [..] a partilha de alimentos e a comensalidade, desde o Homo Sapiens”

Porém, no cristianismo HÁ UMA DIFERENÇA de maior profundidade: é alguém que oferece-se, na sua presteza e alteridade, como comida, trazendo à mesa o SEU CORPO, PURIFICADO E TRANSUBSTACIANDO, pela força de seu Espírito, na Epiclese oracional.

Diante de tão augusto milagre, vemos, tristemente o contra ponto de um outro corpo: a putrefação da carne e do corpo institucional de uma nação, mergulhada no caos de sua ganância e mesquinhez; levando a um distanciamento abissal entre empregados e desempregados; entre trabalhadores cadastrados e os sobreviventes de um sub emprego e dai em diante......

A reflexão, ora apresentada, leva-nos a afirmar que nunca que se deve limitar a concepção de CORPOREIDADE a um aspecto antropológico, psíquico, físico e afetivo. A contrario sensu, a nação, por meio de suas instituições ADOECIDAS pela sua má gestão, revelam o estado avançado de putrefação do seu corpo cívico. Sim, um corpo estatal sujo, com governantes e governados, sem eira e nem beira.

A analogia de I Corintios 12, 26 é providente, pois, deixando de lado a leitura mística e cristológica da coisa, leva a observar os malefícios de uma estrutura politica e publica acometida de chagas, que exalam os cheiros mais horríveis, insuportáveis a quem os rodeia.

Afinal, se o Legislativo está doente, como ficará a sua função FISCALIZADORA (CRFB-88 Art. 48 e seguintes) E o Judiciário, enraizado nos seus castelos suntuosos, deixa a sua Deusa Minerva seminua, trazendo à tona sua deformação corpórea/institucional, ou seja, não julga imparcialmente e nem aplica a lei, na busca pela Justiça.

E o Executivo? Longe de executar em vista do bem comum, executa para o bem dos seus. Serviços mal executados; licitações fraudadas; politicas públicas mal executadas; seu atrelamento prostituído com o legislativo, a ponto de originar uma lava jato!!!!!
Apenas isso? Não. Mas, só esta é capaz de fazer emergir, da cova de nossos olhos, aquilo que suspeitávamos: UM ESTADO COM SUA  CARNE PUTREFATA!!! UM BRASIL ESCURO, PELA SUA HISTÓRIA!

E como diz o ditado, na volta ninguém se perde, então nos vemos na
volta!!!!!






JOÃO PESSOA, 16 DE JUNHO DE 2017


RINGSON MONTEIRO DE TOLEDO

ADVOGADO E FILÓSOFO


EMAIL: RINGOADVOGADO@HOTMAIL.COM

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