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Entre os “vagabundos”, ocupados e arrasados: vale a pena defender uma causa?



O palco em que viveu o país no ultimo dia 28 de Abril, revela, indubitavelmente, as raízes de uma nação arrasada pela sua própria desmotivação existencial, dividido pelas crenças de cada um, que deixam à mostra, um sentimento de ódio visceral, visto por força de grupos que foram as ruas desbravar seus descontentamentos com as pseudo reformas trazidas pelo Governo Federal.

Em síntese, lutar por razões que atingem a grande maioria dos brasileiros, que não estão apenas situados no eixo sul e sudeste do Brasil, virou sinônimo de anarquismo; baderna; esquerdismo e comunismo cego. Assim sendo, muito se fala sobre tais nomenclaturas, mas, pouco se busca as raízes politico filosóficas que bem as definem.

O absurdo da leviandade, nas mais diversas expressões, levaram inúmeras pessoas, até certo ponto interessantes no seio da sociedade, como, professores universitários; jornalistas; intelectuais; pessoas simples e até mesmo, pasmem, religiosos católicos e protestantes, a dividirem o bolo de suas crenças entregando o “seu evangelho” ao culto dos que aderiram ao grupo “ficar em cima do muro” (em nome de uma filiação ao politicamente correto - sem esquecer de que os que ficam no meio do muro, levam pedradas dos dois lados) aliando-se ao exército do xingar, literalmente de “VAGABUNDOS” e outros adjetivos, a quem se dispôs a protestar.

É muito simples reduzir as lutas pelas causas de quem move, de verdade, a máquina econômica do país, diga-se, a “massa” trabalhadora, sitiada e insultada, pelos que se apresentam como “amantes” da democracia participativa, chamando-os de uma dúzia de “vagabundos, arruaceiros, e malfeitores”, colocando-os num patamar de “esquerdopatas” e “idólatras” do lulopetismo ou coisa que o valha, apenas como desculpa para não saber, de fato, os meandros das reformas propostas.

Ver uma gama considerável de formadores de opinião, em especial da classe empresarial (inclusive os que detém os meios de comunicação) a reduzir os protestos apenas a: FALTA DE TRANSPORTES; AO QUEBRA QUEBRA; AOS TRANSTORNOS NO TRANSITO E DEFENSORES DE SINDICALISTAS CRIMINOSOS, é no mínimo deplorável.

Na verdade, qual a razão dos acéfalos da moral e dos bons costumes, em não se permitir a discutir, tanto por tanto, os males que as “reformas” introduzirão na dinâmica social e trabalhista brasileira, antes de apelida-los dos mais horripilantes nomes? O que move a ojeriza de tantos “pseudo intelectuais” a misturar, num único liquidificador, tudo e todos os que protestam, a nominá-los de um “bando de marxistas frustrados; bando de comunistas imbecis” e outros palavreados, não menos espúrios.

O seio da reflexão social e politica do Brasil, mergulhada num ódio partidário, não consegue enxergar que, MUTATIS MUTANDIS, a distância entre classes e entre e a oportunidade de soluções, não é apenas um falatório de K. Marx (1818-1883), pois, dia após dia agrava-se de uma forma tão abissal tais diferenças, que, p. ex., no campo da educação, como assevera o Prof. Luis Carlos de Freitas, no seu estudo “Os reformadores Empresariais da Educação” (U. Estadual de Campinas–2014/2015)” a influencia avassaladora do capital, leva os conteúdos avaliativos do alunado, atualmente, a assemelhar a escola (que devia ser um local de oportunidades e agregação dos mais desfavorecidos) a um conglomerado empresarial, onde o professor torna-se um batedor de metas, ao invés de um educador que integre, além da instrução científica, a promoção de uma educação mais humana e integral.

Tal situação ilustrativa, apenas, torna fática o perigo de viabilizar uma sociedade cada vez menos politizada e menos esclarecedora de que luta pelo impedimento de certas “reformas”, discutidas nos calabouços de Brasília, afunilam e expõem uma indigesta politica representativa, fazendo adoecer o sentido mais límpido da veia democrática.

De outra banda, aos que apelidam os protestantes de sexta feira dia 28/04, de todos os adjetivos maléficos, deveriam mudar a rota do palavreado, e buscar uma sensatez, apresentando uma solução menos mortífera aos inúmeros trabalhadores. Talvez se tais iluminados abrissem as vias menos injustas, justificaria a não necessidade da “quebradeira”.

Outro forte elemento cinge-se ao fato da imensa quantidade de brasileiros não se aprofundar e não se filiar a uma causa que seja mais argumentativa e de menos do ódio e intolerância. Sim, aliar-se a uma causa é, no mínimo, um sinal de maturidade politica e democrática. É assumir um sentimento mais nacionalista, partindo dos princípios e fundamentos constitucionais, tornando-se menos imperialista.

É óbvio que não se aceita, inclusive nas manifestações, a violência, a reprimenda pela covardia ou o ataque de direitos outros, porém, a passividade dos que apenas se escudam no comportamento do fazer a ciência politica e religiosa de dentro dos gabinetes, querendo defender uma linha do “não me meto e não me comprometo”, revela um farisaísmo vivo e latente, que impulsiona a gritar aos quatro cantos que algo mais nebuloso está por vir.

Aliás, defender uma causa, repito, abraça-la e lutar por ela, desde que ela não seja excludente e causadora de maiores feridas, no tempo e na história, nos fará entender quem de fato são os “vagabundos” de nossa contemporaneidade.

E sobre a defesa de uma causa, aludo a um poema de Thiago de Mello, quando diz que: “NÃO SOMOS MELHORES E NEM PIORES. SOMOS IGUAIS. MELHOR É A NOSSA CAUSA” ( Poesia comprometida com a minha e tua vida. 1975)

E como diz o ditado, na volta ninguém se perde, então nos vemos na
volta!!!!!





JOÃO PESSOA, 01 DE MAIO DE 2017


RINGSON MONTEIRO DE TOLEDO

ADVOGADO E FILÓSOFO


EMAIL: RINGOADVOGADO@HOTMAIL.COM






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