Direito, Jurisprudência, Legislação, Política e Filosofia.

A frágil perspectiva democrática





A incerteza de uma estabilidade politica levou o país a sentir os estremecimentos eclodidos da capital da república, esses dias, de maneira que não mais sabemos o que poderá surgir como novidade, ou melhor, até suspeitamos, mas, preferimos deixar de lado, ou seja, mesmo que a criatividade das análises previsíveis aponte para o pior, ainda assim, preferimos que a nossa imaginação, concretamente, esteja nos enganando.

Os arroubos de tão grande hecatombe leva-nos a uma profunda questão de raiz não menos politica e histórica. Afinal, fala-se que a beleza dessa nação, não obstante os escândalos de qualquer ordem, é a sua democracia e liberdade, garantidas, p. ex., em texto constitucional, como fundamento e, como afirma o Art. 5º, um direito e uma garantia.  Porém, não é pecado questionar as nossas gerações de ontem e de hoje, diante do caos de nossos dias, com a seguinte indagação: fomos ou somos capazes de entender o que é democracia? Não são culpadas, de uma forma ou de outra, as gerações de outrora que, embora, enraizadas em lutas interessantes, utilizaram-se dos brios dos movimentos democráticos, para, na atualidade, se tornarem algozes do povo e deformarem o sentido da democracia representativa?

Diante de tantos desvios, daquilo que a jovem democracia brasileira tem vivido, vemos que a sua sangria é uma lástima. Aliás, é bem provável que o desajuste histórico do Brasil, em não poder ordenar bem o interesse comum e a coisa pública, desde os mais antigos mandatários até os atuais, leva a conclusão de que nós não fomos capazes de amadurecer o senso democrático, por força da representatividade politica, como um braço da veia democrática, interessante e capaz de fomentar iniciativas e melhorias.

Não é errôneo dizer, embora não se generalize, que a juventude que ingressa no campo politico é a esperança de poder fazer surgir novas ideias arrojadas no parlamento e no executivo. Porém, em alguns casos, tais noviços repetem, na sua maior incompetência, as velhas práticas do veteranos de cabelos brancos, sendo incapazes, p. ex., de propor um projeto de lei de melhor alcance social.

Penso que o curto espaço de tempo entre os pequenos momentos de “gloria democrática” e as ditaturas de Getúlio (1937-1945 – marcadas por uma conjuntura internacional nazifascista) e a Militar (1964-1985 – com o perigo do mal vermelho), aliadas a um não melhoramento de um nacionalismo brasileiro – sem necessariamente o fazer imperialista,  fez esta nação mirar suas nuances num modelo “democrático”, tendo como protótipo os países do pós guerra, em particular os Estados Unidos e  Europa (apenas para citar o século passado), fazendo desembocar um lastro de discussões esdrúxulas, preocupadas, apenas, na reflexão pendular de comunistas e/ou capitalistas, deixando ao léu, dentro do contexto brasileiro, a capacidade de fomentar uma geração democrática mais consciente, capaz de imprimir nas pessoas responsáveis a condução de um modelo politico pensante, que conjugasse a ética social, industrial, e empresarial, tendo o homem e seus valores como centro de sua economia interna.

Em resumo, não houve a premente necessidade de “escolarizar” uma geração de homens e mulheres, no Brasil, capazes de sopesar aquilo que é de mais sagrado na democracia, como sendo um governo do povo, materializado naqueles que na representatividade, não repetissem o que os gregos antigos (num determinado período) e os mais modernos e atuais “modelos democráticos” trazem: uma democracia apenas no discurso (trazendo à baila a figura dos demagogos e da demagogia); uma democracia oligárquica (que em nada representa o povo) e uma representatividade cancerígena, que se assenta nas leis e na constituição para, até em nome delas, sustentar a podridões de suas práticas. TRISTE MOMENTO DE UMA DEMOCRACIA CAPENGA!!!!!!

E como diz o ditado, na volta ninguém se perde, então nos vemos na
volta!!!!!






JOÃO PESSOA, 27 DE MAIO DE 2017


RINGSON MONTEIRO DE TOLEDO

ADVOGADO E FILÓSOFO


EMAIL: RINGOADVOGADO@HOTMAIL.COM

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