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As eleições presidenciais e governamentais de 2018 e o perigo do populismo


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O marco eleitoral no país vive um pandemônio!!!!! Assim, de dois em dois anos, as agruras de um sistema politico eleitoral que perturba o sossego da estabilidade administrativa do estado e do país. Tudo inicia-se pelos discursos neo eleitorais dos que, precocemente, se apresentam ao cargo máximo da república ou dos governos estaduais. O ruim de todo esse processo é a apresentação, quase que “natimorta” de pseudo líderes ou, simplesmente, a ressurreição ou ausência destes, levando os eleitores e eleitoras a migrar para os votos nulos e/ou brancos, ante a perversa gestação de figuras medíocres que só repetem as velhas práticas aqui e acolá (e esta não é só uma via crucis da Paraiba).

Os sinais iniciais verificam-se nos palavreados bonitos dos “salvadores da pátria amada ou do solo paraibano”. É simples: primeiro, o surgir dos pretensos candidatos nasce por força do nome de edis de alta patente, que dormem e acordam sonhando com o “banho de sol” nos palácios da Redenção – Paraíba- e do Alvorada – Brasília. Aqui na Paraíba, p. ex, os futuros inquilinos do Palácio da Redenção, como se fosse algo pré fabricado, precisam advir de duas cidades: João Pessoa ou Campina Grande.

Em linhas gerais, essa prática de tornar pré criado gestores estaduais ao gosto dos guetos dominantes, faz lembrar o que aludia o filósofo alemão do séc. XIX Nietzsche (1844) na leitura do seus clássicos para Além do Bem e do Mal (1886) e Humano Demasiado Humano (1878), que na sua definição critica a liberdade e o espirito livre do homem, dizia que tolher tal dom era impedir que o humano deixasse de transparecer, de certo modo, as suas próprias condutas morais e perspectivas e olhares diante da vida e do futuro.

Em outras palavras, para além do que alude o filósofo alemão, a fábrica de construção de gestores e gestoras da “res publica” é medíocre e afronta os mais fortes dons do próprio homem, ou seja, a sua liberdade, inclusive a de tornar a politica menos selvagem e mais humana.

Daí, caros leitores (as), estes que se devotam a governança fogem do dia a dia da gestão administrativa de suas cidades, preferindo sair, como que numa peregrinação aos moldes de Frei Damião, ultrapassando a ponte de Bayeux (assim foi em 2010 e em outras épocas, esta sendo em 2017) e a viajar sentido BR 230 e 101, norte e sul, “conhecendo as militâncias, as lideranças e o melhor, aqueles que mais simbolizam o coronelismo local, diga-se, os prefeitos e vereadores locais.

A história é sempre repetida, ou seja, todo final de semana surge uma passeio a diversas cidades para assistir a festas de padroeiro, emancipações ou para acompanhar os chefes nas inaugurações de obras públicas, para que o pobre povo das cidades longínquas comecem a conhecer os novos rostinhos prepostos ao executivo local e nacional.

Quando não se revela sob esse script, revela-se, sob as bençãos do chefe do executivo de plantão, que quando não pode mais se reeleger, começa a levar o “filhote candidato” as inaugurações de obras, aliados ao forte contributo dos grandes veículos da imprensa paraibana, que começam a fazer, quase que semanalmente, entrevistas radiofônicas, em particular nos programas da faixa horária das 12:00 as 14:00 H.

No plano nacional, MUTATIS MUTANDIS, não é diferente. Apenas as questões em nome de quem residirá no Alvorada, precisa, antes de mais nada, consultar os gurus da politica do café com leite dos dias de hoje, diga-se, São Paulo ou Minas Gerais, ou apenas, o sul e sudeste do país, deixando Norte e Nordeste para as derradeiras consultas.

Por outro lado, a linha do marketing politico já os orienta a não colocar nas falas públicas a palavra CRISE ECONOMICA. Afinal, ela já passou e só perdurou o período necessário para se extirpar Dilma Rousseff ou o ano de 2015/2016. Agora, os pretensos candidatos devem mirar em palavras palatáveis, quais sejam: É ANO DE INVESTIMENTO; É ANO DE GESTÃO E NÃO DE POLITICA; MESMO COM A CRISE, ESTAMOS INVESTINDO NA EDUCAÇÃO/SAÚDE. Enfim, um palavreado azedo e que só aumenta a ojeriza pela classe politica.

Daí, indaga os mais pessimistas, o que fazer? Voltar a 31 de Março de 1964? A ditadura é a solução? Ou então: elejamos os que não defendem o comunismo? Elejamos os que não cometeram os crimes de corrupção do PT? Elejamos o molusco Lula? O mineirinho Aécio? Esperemos o Alckmim sair do PSDB para lançá-lo candidato? Por essas e outras razões, vai se agigantando o sentimento de indignação que leva as pessoas, p. ex, a negar até os mais fundamentais direitos da pessoa humana, propondo, como disse acima, a projeção de figuras que defendem a volta do militarismo ditatorial, como alternativa de poder.

A partir das ideias até aqui discutidas, preocupa uma constatação grave: a de que os mais jovens, com idade abaixo dos 30 anos, engrossam e agitam as bandeiras mais conservadoras, principalmente pela falta de experiência e, por serem, mais influenciados pela massa de doentes mentais de uma politica reflexiva mais profunda que não considera os fracassos e sortes das opções politicas dos últimos 40 anos.

Ato contínuo, diante de tantas querelas, qual a solução mais rentável? Atirar para o plano jurídico politico? A solução resoluta para tal plano, defende os que assim pensam, seria, na pior das hipóteses, a ruptura institucional com a formação de um Poder Constituinte Originário, por meio de uma assembleia nacional constituinte, com a missão de mover uma série de mudanças no plano dos direitos fundamentais, sociais e políticos, para vislumbrar a solução a longo prazo, vez que o Poder Constituinte Derivado não poderia “executar tal mister”.

Para a concretude deste modelo, urgia a eleição de uma figura anacrônica mais alinhada aos sentimentos mais perversos da sociedade, porém, que traga a “tranquilidade e a moral social aos eixos”. Mas, pergunta o sensato: seria de fato uma solução???

Pois bem, depois de todo esse ingrediente, começam a surgir as soluções mais perigosas: APRESENTADOR DE TELEVISÃO; LUTADOR DE BOX; EMPRESÁRIO MEGA MILIONÁRIO (com o discurso de que não é politico, mas gestor);  FIGURAS DE ESCOL, COMO OS DEFENSORES DA LINHA GOVERNAMENTAL PSEUDO TRADICIONAL (inclusive alinhado aos mais pérfidos ditadores), OU ENTÃO O RESSURGIMENTO DE FIGURAS “MORTAS” POLITICAMENTE (como que uma Fênix), OU OS DE FALAS ROUCAS (prometendo um advento de melhorias que apontem a volta da politica do consumismo e das desonerações fiscais, como solução para a melhoria do caos).

Nesse esteio, vem o perigoso surgimento, no seio da literatura politica, do Populismo, com expoentes de direita e de esquerda (se é que ainda se pode falar disso no Brasil). O surto de populismos na historia humana atravessou países e continentes, com a égide da esperança humana voltada para astros reis, por vezes, sanguinários e estúpidos. O espirito populista, caracteriza-se por um alinhamento das massas para junto de alguém que, com dom carismático, agita as massas populacionais pelo impulso dos ventos.

Na américa latina, desde de um Getúlio (1882-1954), saltando para um Bolsonaro (1955) a uma Peron na Argentina (1919-1952), ou um Trump (1946) na América Central, revela-se, guardadas as devidas proporções e peculiaridades de cada um, a necessidade de um discernimento sério a nível de uma discussão social que reúna igrejas, sindicatos, organismos e partidos políticos no intento de prover uma linha de gestores futuros que não rezem na cartilha de um militarismo ignóbil, ou de uma neo ditadura ou de uma religiosidade medíocre, que possa levar o pais ao vacilo de mais uma vez dar errado, nem, tampouco, a pré candidatos gestados a partir de uma politica regionalista e amarrada aos interesses nebulosos dos que fazem dela, não um serviço, mas um meio de vida.

E como diz o ditado, na volta ninguém se perde, então nos vemos na volta!!!!.
 
RINGSON MONTEIRO DE TOLEDO
ADVOGADO E FILÓSOFO
JOÃO PESSOA, 31 DE MARÇO DE 2017.

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