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Brasil ressurreto?!


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As celebrações da Páscoa cristã, não foram suficientes para escurecer o “horto da agonia” que passou o Brasil, quando a delação  de Marcelo Odebrecht e seu pai, trouxe as claras, tanto por tanto, a cirúrgica participação de partidos e figuras expoentes da politica estadual e nacional, em acordos nebulosos que, em suma, transpareceu a organização criminosa perpetuada no país, pelo menos há três décadas.

O sentido da doação máxima do nazareno, desde a entrada em Jerusalém, capital do poder religioso e politico da época, passando pelas antecipadas agonias dos dias sequentes, onde na ceia, no horto e no calvário, desfiguraram, como alude o Profeta Isaías 52, 13-53, na alegoria do servo sofredor, a sua figura, deixando-o a uma aparência sem beleza e  semelhante a um verme.

E o Brasil? Não distanciou-se das amarras da cruz de Cristo. Em plena terça feira da paixão, viu, sob a força de um conglomerado empresarial, toda a geografia espúria do toma lá da cá. Doações não contabilizadas – caixa 02, e até as contabilizadas ou o simples caixa 01, trouxeram ao seio da consciência coletiva de que este país, sejam nas ceias do Cristo e do Judas, viu-se traído pelo pão molhado no molho do prato das corrupções ali acordadas.

Neste caso, o cenário do horto das oliveiras mudou de contexto. Pelo contrário, o suor desses homens e mulheres, presos ao estúpido sentimento de lesar a nação não foi de sangue. Seus cálices não foram afastados, haja vista não ter sido feito, nos acordos satânicos das salas e/ou luxuosos restaurantes, a vontade do pai, mas, tão somente a vontade dos que optaram por serem servientes as trevas e assim, deixar faltar aquilo de mais essencial na vida do povo: transporte; saúde; segurança; educação (aliás, sob a pecha dos princípios do mínimo constitucional e do caráter programático dos direitos sociais, vide art. 6º e 7º da CRFB/88, o estado adia a construção de tão caros direitos ao léu, alegando insuficiência de recursos – p. ex, quando se faz preciso buscar o judiciário para adquirir remédios).

De outro modo, não conseguindo deglutir os indigestos vídeos dos delatores da família Odebrecht, vimos, sem eira e nem beira, o escárnio de uma nação levada ao calvário de sua democracia, onde na sua via sacra, não surgiram no caminho os cireneus e nem, tampouco, as verônicas, capazes de enxugar os rostos melados de sangue, de uma nação que há séculos carrega o peso de uma cruz, não à semelhança da cruz proposta pelo Reino de Deus, mas de uma cruz pesada e que não merecíamos carregar.

Por fim, chegamos ao topo da crucifixão. Fomos pregados ao madeiro da vergonha e de uma sanha corrupta que não salva, desde as carreiras mais simples da politica partidária, até os mais altos mandatários da republica. A cruz da vergonha ergueu-se, e nela não estava crucificado, apenas o nazareno. Ali foram crucificados o futuro de uma democracia e de uma república jogadas a sorte de soldados representantes das grandes corporações, que só visam o lucro; os bilhões; os trilhões.

Não sei bem se na atualidade, ainda tem validade, o que aludiu Kant, mudando o que tem que ser mudado, séculos atrás, com a sua reflexão sobre a Guerra e a Paz, que tais dons só seriam alcançados a medida em que fossem moldando as estruturas jurídicas institucionais, trazendo a paz sob e égide da força do direito público (Kant, 1795). Afinal, a força do direito e a sua implementação, por meio das instituições, não são, hoje em dia, tão fortes e evidentes??? Mesmo assim, quais as razões de tanta corrupção latente no Brasil?

É logico que não se pode culpar as instituições jurídicas, tão somente, pelas trevas da corrupção, bem desenhadas nas delações e nas outras formas que elas se apresentam no dia a dia. Existe uma quantidade de responsáveis que passa por todos os poderes, inclusive este.

Mesmo assim, voltando a narrativa acima, continuamos pregados na cruz. Aos pés dela não via-se as mães chorosas pelos filhos perdidos pela falta da implementação de politicas sociais, que os tivessem livrados das drogas; os discípulos amados chorosos em ver o seu mestre, aqui o seu país, crucificados entre os ladrões da sangria maldita do desvio e da improbidade. Nela, o país crucificado pelo mal que atravessa séculos, não foi possível de salvar o “bom ladrão”, pois, ao contrário do Cristo, a sua morte foi rápida e instantânea.

Logo após as marteladas dos pregos, o país crucificado verteu grande quantidade de sangue. A hemorragia foi completa. Nela foram lavadas a vergonha de crianças e jovens sem perspectiva de futuro e de melhores dias. Nem teve tempo de pedir água. Pois a sua sede por justiça há tempos que não é saciada.

Por fim, após todo o calvário do Brasil, em plena Páscoa cristã, será que algum José de Arimatéia pedirá ao “Pilatos Odebrecht”o corpo putrefato de um país morto pela ganância de quem os sugou impiedosamente? Ainda temos como manter acessa a ressurreição do Brasil??? O Brasil ressurreto!!!

E como diz o ditado, na volta ninguém se perde, então nos vemos na
volta!!!!!



JOÃO PESSOA, 18 DE ABRIL DE 2017


RINGSON MOTEIRO DE TOLEDO

ADVOGADO
FILOSOFO

EMAIL: RINGOADVOGADO@HOTMAIL.COM

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